CPU Vera supera rivais em testes de data center

A NVIDIA Vera foi comparada a processadores de servidor da AMD e da Intel em testes conduzidos pelo Tom’s Hardware. A avaliação encontrou vantagens em cargas ligadas a agentes de inteligência artificial e tarefas de backend, mas também apontou cenários em que os chips x86 levam vantagem — e ressalvas sobre como interpretar os resultados.
O primeiro núcleo personalizado da NVIDIA entra na disputa
A Vera é apresentada como o primeiro núcleo personalizado da NVIDIA. Segundo a análise, o chip representa uma melhoria significativa em quase todos os aspectos em relação ao Grace, processador anterior da empresa que usava um design de núcleo Arm padrão de mercado.
O Tom’s Hardware testou a CPU em plataformas de referência e a comparou com o Intel Xeon 6980P e com os AMD EPYC 9965 e 9755. Os resultados, segundo o veículo, mostram que a Vera pode igualar ou superar modelos equivalentes em algumas tarefas de uso geral, embora o desempenho varie conforme a carga de trabalho.
88 núcleos, cache distribuído e memória de alta largura de banda
A Vera tem 88 núcleos e 176 threads, com base na arquitetura Armv9.2-A. Cada núcleo conta com 2 MB de cache L2, enquanto o cache L3 soma 164 MB por CPU.
| Núcleos / Threads | 88 / 176 |
| Cache L2 | 2 MB por núcleo |
| Cache L3 | 164 MB por CPU |
| Memória | Até 1,5 TB SOCAMM2 LPDDR5X |
| Velocidade da memória | Até 9.600 MT/s |
| Largura de banda da memória | Até 1,2 TB/s (agregado) 14 GB/s por núcleo |
| PCIe | 88 pistas PCIe 6.4 (somente CPU) 96 pistas PCIe 6.4 (Vera Rubin) bifurcação em até x2, CXL 3.1 |
| TDP configurável | 250 W – 450 W |
O chip usa duas threads por núcleo por meio da tecnologia que a NVIDIA chama de “multithreading espacial”. Também incorpora uma unidade de decodificação de 10 vias e a segunda geração do Scalable Coherency Fabric (SCF), uma estrutura em malha que distribui o cache L3 pelo processador. De acordo com os dados apresentados, essa malha oferece até 3,4 TB/s de largura de banda.
Na memória, a CPU aceita até 1,5 TB de módulos substituíveis SOCAMM2 LPDDR5X, operando a até 9.600 MT/s. A largura de banda agregada pode chegar a 1,2 TB/s, com 14 GB/s por núcleo, segundo as especificações informadas.
As plataformas usadas na comparação
| Plataforma Testada | Memória | Processador testado |
| 2P Nvidia MGX Vera (plataforma de referência) | 16 x 96 GB (1,5 TB) Samsung LPDDR5-9600 ECC SOCAMM2 | Nvidia Vera |
| 2P Supermicro SYS-222HA | 24 x 64 GB (1,5 TB) Micron DDR5-8800 ECC MRDIMM | Intel Xeon 6980P |
| 2P AMD Volcano (plataforma de referência) | 24 x 64 GB (1,5 TB) SK hynix DDR5-6000 ECC RDIMM | AMD EPYC 9965, EPYC 9755 |
O que os resultados indicam para cargas de IA
Nos testes descritos pelo Tom’s Hardware, a Vera teve bom desempenho em Python, linguagem presente em grande parte do ecossistema de software de inteligência artificial. A análise também destacou a largura de banda de memória no nível do soquete e do sistema, apoiada pela interconexão C2C de alta velocidade entre os chips Vera.
Essa capacidade pode ser relevante em sistemas com agentes que consultam grandes bancos de dados, nos quais o acesso a volumes elevados de informação é uma parte importante do trabalho. A avaliação também aponta que a CPU não se limita a essas cargas: ela se mostrou competente em tarefas gerais de servidor e, em alguns testes, igualou ou superou modelos da família EPYC Turin e o Xeon Granite Rapids-AP.
O quadro muda em cargas de frontend. Nesses casos, a maior densidade de núcleos dos processadores x86 frequentemente favoreceu os concorrentes, enquanto a Vera se destacou mais em operações de backend com grandes volumes de dados. A comparação, portanto, não aponta um vencedor universal, mas diferenças de perfil entre as plataformas.

Por que a disputa importa para operadores de servidores
A NVIDIA posiciona a Vera para infraestrutura de inteligência artificial e fluxos de trabalho baseados em agentes. O interesse por esse tipo de uso ajuda a explicar a atenção dada à memória e ao processamento de dados, mas a própria análise ressalta que ainda não há benchmarks padronizados capazes de medir o ciclo completo de um agente.
Por isso, o Tom’s Hardware avaliou a CPU por meio de cargas que considera relevantes para esse tipo de fluxo. O veículo também observou que os números do SPEC CPU 2026 “intrate” são estimativas, devido à forma como o SPEC administra a divulgação dos resultados. Em alguns testes gerais de vazão, que medem o trabalho com várias aplicações simultâneas, os resultados ficaram próximos dos apresentados pela NVIDIA.
Essa ressalva é importante porque servidores costumam ser configurados por operadores especializados e podem usar pilhas de software ajustadas para tarefas específicas. Assim, o desempenho observado em um conjunto de benchmarks não determina sozinho qual processador será a melhor escolha para cada infraestrutura.
Uma vantagem que depende do trabalho executado
Os testes oferecem indícios de que a Vera pode competir com CPUs x86 em segmentos de servidores e cargas relacionadas a agentes de IA, mas não eliminam as diferenças entre os tipos de tarefa. A própria análise registra resultados variados: há testes em que o processador se destaca e outros em que fica atrás.

A comparação reforça que a escolha de uma CPU para data center depende do perfil das aplicações, da configuração do servidor e do software utilizado. A Vera apresenta atributos atraentes para operações intensivas em dados, mas os resultados disponíveis não definem um processador superior em todos os cenários — e ainda falta uma métrica padronizada para avaliar o ciclo completo de um agente.
Para operadores de data centers, a pergunta central não é apenas qual chip vence mais testes, mas qual deles atende melhor às cargas reais de cada sistema. Em quais tarefas a largura de banda da Vera justificaria escolher uma arquitetura diferente da x86?
Com informações de Tom’s Hardware.
Equipe do Universo Geek News.



