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Ocarina of Time quase ganhou mais viagens rápidas

Previsto para estrear na próxima quinta-feira (5), o remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time quase recebeu diversos pontos extras de viagem rápida. Em entrevista publicada pela Nintendo, o produtor Eiji Aonuma contou que a equipe testou atalhos para reduzir deslocamentos, mas concluiu que eles enfraqueciam a exploração — uma parte essencial da aventura.

Atalhos que mudavam o ritmo da aventura

A ideia surgiu de uma observação sobre a versão original, lançada para Nintendo 64: segundo Aonuma, jogadores costumavam fazer Link rolar repetidamente na tentativa de chegar mais rápido a determinados lugares. O produtor avaliou que a nova versão poderia oferecer alternativas para esses trajetos.

“Achei que precisávamos lidar com isso na nova versão. Então pedi ao time para adicionar pontos de viagem rápida que não existiam no game original, dando aos jogadores acesso a atalhos”, explicou Aonuma. O teste, porém, mostrou que facilitar a travessia não era uma mudança neutra: a versão com os novos pontos perdia parte do espaço dedicado à descoberta.

O produtor afirmou que a equipe só percebeu a importância desses momentos depois de retirar a exploração do campo de Hyrule. A repetição dos caminhos, em vez de ser apenas um intervalo entre objetivos, ajudava os jogadores a observar melhor os lugares e a encontrar elementos que poderiam passar despercebidos numa passagem apressada.

Remake de Ocarina of Time vai além dos visuais, revelam primeiras prévias
Imagem: Divulgação/Nintendo

Por que a equipe voltou atrás

Na conversa, Aonuma disse que os momentos de exploração fazem parte da própria estrutura de Ocarina of Time. Depois de avaliar a versão com atalhos, pediu que os pontos adicionais fossem removidos porque, nas palavras do produtor, a proposta não estava funcionando para aquele jogo.

A decisão não significa que a viagem rápida seja incompatível com a série. Aonuma citou Breath of the Wild como uma das referências que o levaram a experimentar a mecânica: nesse título, há diversas zonas para as quais os jogadores podem se teletransportar.

Captura do remake de Ocarina of Time
Imagem: Divulgação/Nintendo

A diferença, segundo o produtor, está no desenho dos mundos. Breath of the Wild tem um mapa muito maior, cuja estrutura não incentiva o retorno repetido às mesmas áreas da mesma maneira. Em Ocarina of Time, por outro lado, atravessar novamente um local pode fazer parte da experiência e levar a novas observações.

Uma revisita pensada também para a equipe

Aonuma também explicou que a decisão de revisitar Ocarina of Time teve um objetivo interno: estimular os integrantes mais jovens da Nintendo. De acordo com ele, vários membros envolvidos no remake nunca tinham jogado o original, e trabalhar novamente no título pode gerar ideias aproveitáveis em projetos futuros.

Esse processo ajuda a explicar por que a equipe não tratou a conveniência como uma melhoria automaticamente positiva. O teste dos atalhos serviu para reconsiderar o que dá identidade à aventura e para avaliar como uma alteração aparentemente simples poderia afetar a relação do jogador com o mundo.

O que ainda não foi detalhado

A entrevista não especifica quantos pontos de viagem rápida chegaram a ser testados nem detalha outras mudanças de qualidade de vida do remake. O relato de Aonuma se concentra nessa mecânica e no motivo pelo qual a equipe decidiu removê-la.

Também fica claro que o objetivo não era reproduzir cada aspecto do jogo original sem questionamento: a equipe experimentou uma solução nova, observou o efeito sobre a exploração e reviu a decisão. A conversa, portanto, oferece um recorte do processo de desenvolvimento, mas não descreve todas as escolhas feitas para a nova versão.

Quando o caminho também faz parte do jogo

A história dos atalhos mostra uma tensão comum em remakes: tornar uma experiência mais cômoda pode alterar justamente o ritmo que a tornou marcante. No caso de Ocarina of Time, Aonuma afirma que percorrer Hyrule novamente ajuda a compor a aventura, e não é apenas tempo entre um objetivo e outro.

Com a estreia prevista para a próxima quinta-feira (5), resta saber como as demais mudanças de qualidade de vida vão se equilibrar com essa proposta. Para você, um remake deve preservar os deslocamentos originais ou oferecer mais atalhos para adaptar a aventura aos hábitos atuais?

Com informações de Eurogamer e Nintendo.

Jhonatan S. Cecilio

Equipe do Universo Geek News.

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