Fuga de talentos? Ex-AMD afirma que time do FidelityFX agora está na NVIDIA e Intel



A Fugacidade de Talentos e o Futuro do FSR da AMD



A Fugacidade de Talentos e o Futuro do FSR da AMD

A situação atual do FSR (FidelityFX Super Resolution) da AMD pode ter uma explicação mais profunda do que simples escolhas de produto: a fuga de talentos. Colin Riley, conhecido como Domipheus no Discord e ex-líder que trabalhou diretamente no desenvolvimento do FSR 2, FSR 3 e FSR 4, afirmou publicamente que grande parte dos membros das equipes FidelityFX e GPUOpen deixou a AMD nos últimos anos para ingressar na NVIDIA ou na Intel.

Quem é Colin Riley e por que sua fala importa

Colin Riley passou quase 9 anos na AMD antes de deixar a empresa para trabalhar na JECO, uma companhia de software. Durante esse período, atuou como um dos nomes centrais no desenvolvimento da linha FSR, participando de três gerações consecutivas da tecnologia. Sua posição interna e o tempo de casa lhe garante uma compreensão privilegiada sobre a dinâmica das equipes responsáveis pelo ecossistema de upscaling da AMD.

Domipheus, ex-FSR 4/3/2 lead, claims most members of GPUOpen/FFX teams went to NVIDIA and Intel
by u/AthleteDependent926 in radeon

Nos comentários compartilhados no Discord e repercutidos no Reddit, Riley não se limitou a informar sobre a saída de engenheiros genéricos, mas mencionou figuras específicas com peso técnico real. Ele destacou que pessoas chave, como um engenheiro responsável pela implementação de recursos, já não estão mais na AMD e migraram para a NVIDIA.

“Eu não trabalhei no Ray Regeneration especificamente, mas conheço a pessoa que fez a pesquisa e a implementação da versão que foi lançada. Ele não está mais na AMD, foi para a NVIDIA.”

Além disso, Riley revelou que diretores cruciais na fundação do GPUOpen deixaram a AMD para seguir para a Intel e que outro diretor sob sua gestão no período de lançamento do FSR 4 também seguiu esse caminho. Engenheiros que ele considera “ótimos profissionais” também fizeram a transição para concorrentes.

O que isso explica sobre o estado atual do FSR 4

Os relatos de Riley emergem em um momento de crescente insatisfação da comunidade com o FSR 4. Os pontos de atrito destacados incluem a limitação da tecnologia apenas às GPUs da geração RDNA 4, como as novas Radeon RX 9000, excluindo milhões de usuários que ainda utilizam placas das gerações RDNA 2 e RDNA 3.

Recursos como o Ray Regeneration, um dos mais avançados do FSR 4, estão disponíveis apenas em alguns títulos, como Call of Duty: Black Ops 7 e Crimson Desert. Dos mais de 100 jogos com suporte declarado, não todos têm a tecnologia integrada de maneira nativa, dependendo de ativações via software Adrenalin da própria AMD.

Recentemente, vazamentos de informações sobre a versão FSR 4.1 geraram frustração quando arquivos DLL indicavam que a nova versão poderia funcionar em GPUs mais antigas, alimentando a esperança de que a AMD liberasse suporte retroativo. A empresa agiu rapidamente para conter os vazamentos mas não deu nenhum esclarecimento, deixando a base de usuários de GPUs anteriores no escuro.


Moral alta, depois o silêncio

Um dos trechos mais impactantes do relato de Riley é o contraste entre dois momentos distintos da equipe FSR. Ele descreve uma fase em que a moral do time era elevada e a retenção de talentos manteve-se estável por vários anos. Contudo, ele aponta uma virada abrupta: “Até que não foi mais assim”. Embora não tenha entrado em detalhes sobre o que precipitou a mudança, seu relato sugere que algo no ambiente da AMD alterou o equilíbrio que mantinha esses profissionais na empresa.

Esse tipo de saída em massa raramente é coincidência. Quando engenheiros sêniores, diretores de produtos e líderes técnicos migram simultaneamente para concorrentes, os impactos geram reflexos nos produtos, muitas vezes em forma de atrasos, funcionalidades incompletas ou decisões conservadoras que podem frustrar a comunidade de usuários.


O que a AMD tem pela frente

A AMD já confirmou que está desenvolvendo uma nova geração da tecnologia chamada FSR Diamond. Além disso, a empresa tem investido em estratégias voltadas para consoles, com arquiteturas futuras de GPU já em desenvolvimento. Contudo, a base de usuários da linha Radeon no PC, que é composta por milhões de placas RDNA 2 e RDNA 3, ainda aguarda respostas claras sobre quando, ou se, haverá suporte ao FSR 4.

A comparação com a concorrência pesa no contexto. A NVIDIA restrige recursos como o Multi-Frame Generation em GPUs mais antigas, mas, ao mesmo tempo, oferece suporte a seu upscaling mais recente em cards que estão na linha desde a série RTX 20. Por outro lado, a Intel vê um reconhecimento crescente entre desenvolvedores, apesar de problemas históricos com drivers e otimização.

Transparência como caminho

Riley encerrou seu depoimento com um forte apelo à AMD: voltar ao básico, ser aberta e comunicar-se de forma clara com seus usuários. Se existem razões técnicas ou estruturais que impeçam o suporte do FSR 4 em GPUs mais antigas, a comunidade prefere saber disso abertamente, ao invés de ser deixada em silêncio.

A honestidade, como ele enfatizou, é a melhor resposta — e a mais respeitosa com aqueles que já investiram no ecossistema Radeon.


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