Atari Adquire os Direitos de Wizardry: O Que Isso Significa para o Mundo dos RPGs
Embora seja praticamente desconhecida por gerações mais recentes de jogadores, a série Wizardry foi muito importante para definir as regras básicas do gênero RPG em seu formato eletrônico. Mais de 20 anos após o fim de sua criadora, a Sir-Tech, a franquia passou esta semana para as mãos da Atari — que não pretende deixá-la dormente.
Em um anúncio oficial, a companhia afirmou que é a dona da propriedade intelectual dos cinco primeiros capítulos da franquia e de todos os seus spin-offs. Com isso, ela não somente pode relançar os títulos para plataformas modernas, como também tem o direito de trabalhar em novos capítulos.
Como dona da Digital Eclipse e da Nightdive Studios, a Atari tem os recursos internos necessários para garantir que o retorno de Wizardry vai ser o melhor possível. Além do universo dos jogos, a série também deve receber itens licenciados, jogos de tabuleiro, quadrinhos e até mesmo projetos para a TV e o cinema.
Série de RPG adquirida pela Atari continua até os dias atuais
Iniciada em 1981 nos computadores, a série Wizardry permanece viva, mas de formas bem diferentes das vistas em seus capítulos iniciais. Após os RPGs perderem popularidade e o experimento desastroso de Wizardry Online, os direitos da série passaram para as mãos da japonesa Drecom.

Desde então, a empresa continuou licenciando a franquia para estúdios como a Acquire, que lançou Wizardry: Labyrinth of Lost Souls em 2020. A Atari não pretende explorar esse lado mais recente da série, que incorporou uma estética de animes e até mesmo alguns elementos de gacha.
Em seu comunicado à imprensa, Atari enfatizou que os jogos mais recentes continuam pertencendo à Drecom e se baseiam em um “universo ficcional diferente”. Ela também nota que, com a ajuda da Digital Eclipse, já lançou em 2024 o jogo Wizardry: Proving Grounds of the Mad Overlord, um remake do primeiro capítulo da franquia.
Empresa pode estar diante de uma batalha judicial
Apesar de a Atari dar como certa a aquisição dos direitos da série de RPGs, a Drecom contesta a informação. Em um comunicado enviado ao site Rock, Paper, Shotgun, a empresa japonesa afirma que não abriu mão sobre Wizardry, seja no Japão ou no mercado internacional.

“Nossa companhia recebeu anteriormente uma notificação da Atari de que ela havia adquirido os direitos para os cinco primeiros títulos da série através dos donos originais”, explicou a empresa. “Nossa companhia vai continuar a manter os direitos de trademark para a série ‘Wizardry’ e vai continuar a gerenciar a marca”.
Em resposta, a companhia ocidental reforçou que adquiriu os direitos sobre os primeiros cinco jogos, sem entrar em maiores detalhes. O negócio foi feito diretamente com Robert Woodhead, cocriador da franquia junto a Andrew Greenberg, que afirma que ainda mantinha a posse legal dos games contemplados.
Essa controvérsia levanta questões sobre a complexidade da propriedade intelectual no mundo dos jogos, especialmente quando se trata de franquias que atravessam gerações. A divisão dos direitos pode resultar em um cenário onde a Atari e a Drecom busquem explorar a franquia de maneiras diferentes, potencialmente criando confusão para a base de fãs que se pergunta quem realmente controla Wizardry.
Por que isso importa?
O retorno de uma série tão influente como Wizardry pode significar mais do que apenas nostalgia para os amantes dos RPGs. A Atari, sendo uma das pioneiras do setor, tem um histórico que pode dar nova vida ao gênero. Se a desenvolvedora consegue combinar a essência dos jogos originais com inovações modernas, isso poderia estabelecer um novo padrão para RPGs contemporâneos.
Nos últimos anos, a indústria de jogos tem observado um ressurgimento no interesse por remakes e relançamentos de clássicos. Com cada vez mais desenvolvedores apostando na exploração de franquias que moldaram o cenário dos videogames, a Atari tem a oportunidade de capitalizar essa tendência. A chegada de novos produtos licenciados também poderá atrair uma nova geração de fãs para o universo de Wizardry.
Análise Final: O Futuro de Wizardry
O debate sobre os direitos da franquia tem o potencial de criar um cenário interessante para a indústria de jogos. Se a Atari conseguir navegar essas águas conturbadas e trazer Wizardry de volta de maneira eficaz, isso poderá não apenas revitalizar uma clássica IP, mas também inspirar outras desenvolvedoras a agir de forma semelhante.
No entanto, se a disputa legal com a Drecom se intensificar, o futuro da série pode ficar comprometido. O desenrolar desta situação será crucial não apenas para os fãs de Wizardry, mas também para a indústria maior de jogos que observa atentamente o que esse caso pode significar para a propriedade intelectual no futuro.
Qual é o futuro de Wizardry na sua opinião?



