Rumores de downgrade? NVIDIA afirma que continua otimizando memória da plataforma Vera Rubin







NVIDIA Enfrenta Rumores de Corte de Memória na Plataforma Vera Rubin

NVIDIA Enfrenta Rumores de Corte de Memória na Plataforma Vera Rubin

A NVIDIA se manifestou sobre os rumores de corte de memória na plataforma Vera Rubin e afirmou que ajustes de configuração fazem parte da própria estratégia de otimização. A declaração foi enviada depois de relatos apontarem redução expressiva no subsistema de memória dos chips Vera e Rubin Ultra.

O tema central da resposta é o teto de 1,5 TB via SOCAMM2 nas CPUs Vera, número que coincide com a especificação oficial divulgada pela empresa. A companhia não negou de forma direta o rumor, mas reforçou que a arquitetura é modular e escalável.

Os relatos vieram de duas frentes: a TrendForce publicou em 4 de agosto um estudo apontando reavaliação das configurações de HBM no Rubin Ultra, enquanto o The Information, em reportagem paga, informou que a fabricante testa versões com menos memória por não ter garantia de fornecimento suficiente.

O que a empresa respondeu

A nota enviada pela fabricante é curta e evita citar números de rumores:

“A NVIDIA otimiza continuamente computação, rede e memória para entregar o melhor desempenho e a melhor eficiência aos clientes. A arquitetura SOCAMM modular do Vera permite até 1,5 TB de memória para otimizar o subsistema de memória em desempenho e escala.”

A expressão “até 1,5 TB” carrega o argumento, visto que um teto máximo admite configurações abaixo dele sem que a especificação de referência mude, algo comum em produtos de Data Center vendidos sob demanda de cliente.

Imagem da NVIDIA Vera Rubin
Divulgação/NVIDIA

Rumor fala em 768 GB no lugar de 1,5 TB nas CPUs Vera

A versão que circulou aponta que o Vera passaria a usar módulos SOCAMM2 de 96 GB em vez dos de 192 GB, reduzindo a capacidade total de 1,5 TB para 768 GB. O SOCAMM2 é o formato compacto de LPDDR5X desenvolvido para servidores de IA.

A SK Hynix já confirmou produção em massa de módulos de 192 GB destinados às plataformas Vera. A Micron foi além e anunciou o primeiro módulo SOCAMM2 de 256 GB do mundo, com as primeiras unidades entregues a clientes.

O gargalo aparece no calendário, a escassez de DRAM em curso tende a empurrar os prazos desses componentes de maior densidade, o que abre espaço para configurações intermediárias enquanto a oferta não normaliza.

Rubin Ultra saiu de 1 TB previsto para 192 GB em avaliação

O caso do acelerador é mais complexo… Na GTC 2025, a empresa apresentou o Rubin Ultra com 1 TB de HBM4E distribuído em 16 stacks, oito por die de retículo, cada um em configuração 16-Hi, o que dá 64 GB por stack e 4 GB por die de DRAM.

Segundo a TrendForce, a companhia manteve o HBM4E 12-Hi como projeto base de 2025 até o primeiro semestre de 2026. A partir do início do terceiro trimestre passou a avaliar três alternativas: HBM4E 8-Hi, HBM4 12-Hi e HBM4 8-Hi, sem definição fechada.

As configurações testadas ficam entre 192 GB e 256 GB, patamar inferior aos 288 GB do Rubin atual. O The Information apurou que a versão principal apresentada a clientes mantém o desempenho de pico em FLOPS, mesmo com a capacidade menor.

Etapa Configuração de memória do Rubin Ultra
GTC 2025 (anúncio) 1 TB HBM4E, 16 stacks 16-Hi, pacote de 4 dies
Revisão posterior HBM4E 12-Hi
Cancelamento do MCM de 4 dies Pacote de 2 dies mantido
Avaliação atual (3T26) 192 GB a 256 GB, entre HBM4E 8-Hi, HBM4 12-Hi e HBM4 8-Hi

A diferença entre downgrade e SKU

Reduzir a altura da pilha permite montar mais stacks completos a partir de um número fixo de dies aprovados. Em um cenário de wafers limitados, isso amplia a quantidade de aceleradores produzidos, ainda que cada um carregue menos memória.

O argumento da NVIDIA é que variantes com capacidades diferentes atendem perfis distintos de cliente, com pesos diferentes entre custo, eficiência e custo total de propriedade. Nem todo comprador precisa da configuração máxima.

O padrão HBM4 foi ratificado em abril de 2025 com até 8 Gbps por pino em interface de 2.048 bits, o que rende até 2 TB/s por stack. O HBM4E eleva a meta para a faixa de 14 a 16 Gbps por pino, chegando a 4,1 TB/s por stack na mesma largura de barramento.

AMD já fez movimento parecido com a Meta

O ajuste por cliente tem precedente recente na concorrência. A AMD desenhou uma variante da Instinct MI455X para a Meta com 288 GB de HBM4, metade da capacidade da configuração completa de 432 GB, e com menos dies de computação.

Esse tipo de encomenda não costuma ser tratado como rebaixamento de produto. A leitura do setor é de customização, com o fornecedor entregando a combinação de memória e computação que faz sentido para a carga de trabalho do comprador.

Sobre prazos, Jensen Huang já rebateu em mais de uma ocasião os relatos de atraso, afirmando que Rubin, Rubin Ultra e os servidores Kyber seguem dentro do cronograma. As especificações completas de Vera e Rubin continuam em produção.

Armazenamento entra como alternativa à falta de DRAM

A projeção da TrendForce é de alta de 50% a 60% nos embarques de bits de HBM em 2027, volume ainda insuficiente diante da demanda. A validação e o aumento de rendimento do HBM4E 12-Hi seguem como pontos de incerteza entre Samsung, SK Hynix e Micron.

Por isso a empresa começou a atacar o problema por outro lado. A plataforma Vera BlueField-4 STX, apresentada recentemente, traz a pilha de segurança DOCA unificada e a tecnologia CXM, sigla para Context Memory Storage, que cria uma camada de contexto em armazenamento para inferência de contexto longo e agentes de inteligência artificial.

O aperto já se espalhou para fora do Data Center. MSI, Gigabyte e ASUS elevaram preços de placas de vídeo neste mês, com reajustes que passaram de 20% e chegaram a 40% em alguns modelos, enquanto o CEO da Phison projeta que a falta de DRAM e NAND se estenda além de 2030.

O que podemos esperar?

Enquanto a NVIDIA ajusta suas configurações para atender as demandas do mercado, as incertezas sobre a oferta de componentes fundamentais como a DRAM ainda prevalecem. Essa situação não apenas afeta os planos da empresa, mas também reverbera em toda a indústria, sugerindo um futuro onde a personalização de hardware se torna cada vez mais comum. Com isso em mente, como as empresas irão adaptar suas estratégias para se manter competitivas nesse cenário em constante mudança?


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