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PlayStation 5 e a Revolução do QSSR: O Upscaling que Promete Transformar seu Jogo

A Sony surpreendeu a comunidade ao apresentar a tecnologia QSSR (Quick Spectral Super Resolution) para o PlayStation 5 padrão. Prometendo dar um novo fôlego ao console base, o recurso traz técnicas de upscaling com inteligência artificial para jogos compatíveis. Mas será que o PS5 tradicional consegue se aproximar da qualidade do PS5 Pro? E o que essa novidade revela para quem joga no PC?

Confira a análise detalhada sobre o funcionamento técnico, testes em jogos e as implicações dessa novidade para o mercado.

O que é a tecnologia QSSR do PlayStation 5?

A sigla QSSR significa Quick Spectral Super Resolution (com “Quick” indicando uma solução leve e rápida, “Spectral” fazendo referência a espectro/fantasma e “Super Resolution” ao upscaling). A proposta é renderizar o jogo em uma resolução interna menor e elevar a imagem final para alta definição, economizando recursos do sistema.

Até então, o PS5 tradicional dependia de soluções nativas de cada estúdio ou de tecnologias como o FSR 2 e FSR 3 da AMD. Com o QSSR, a Sony desenvolveu um modelo de IA simplificado e adaptado especificamente para as limitações do hardware do console base.

QSSR (PS5) vs. PSSR (PS5 Pro): quais são as diferenças técnicas?

Embora ambos os recursos busquem melhorar a nitidez gráfica, a arquitetura por trás do QSSR (PS5) e do PSSR (PS5 Pro) é substancialmente diferente:

  • Arquitetura de hardware: o PlayStation 5 Pro conta com um chip customizado que combina elementos de RDNA 3 e RDNA 4, incluindo aceleradores dedicados de Inteligência Artificial (AI accelerators). Já o PS5 padrão é baseado na arquitetura RDNA 2, que não possui hardware exclusivo para IA.
  • Instruções e precisão: o PSSR do PS5 Pro utiliza instruções INT8, que usam menor precisão de dados e consomem menos recursos para entregar um volume massivo de cálculos. O QSSR do PS5 precisa rodar em FP16, exigindo adaptações para funcionar em um modelo mais leve.
  • Capacidade de processamento (TOPS): o PS5 Pro alcança até 300 TOPS (trilhões de operações por segundo) dedicados à IA. No PS5 tradicional, a capacidade disponível para essa tarefa via RDNA 2 fica em torno de 20 TOPS.
  • Divisão de recursos: no PS5 Pro, os aceleradores de IA trabalham de forma independente enquanto o restante da GPU renderiza os quadros do jogo. No PS5 base, as funções do QSSR ocupam as Compute Units (CUs) tradicionais, disputando espaço com a renderização normal.

Testes práticos: como o QSSR se comporta nos jogos?

A tecnologia já pode ser avaliada em títulos com suporte, mostrando avanços visíveis e algumas limitações. Os títulos com suporte no momento são Marvel’s Wolverine e Ghost of Yotei.

Cerca de 35% das vendas de Marvel’s Wolverine foram em mídia física
Imagem: Divulgação/Insomniac Games

1. Marvel’s Wolverine (Insomniac Games)

  • Estabilidade de pixels: sem o QSSR, a grade ao fundo apresentava forte cintilação (variação constante de cor entre pixels em quadros estáticos). Ao ativar o QSSR, o modelo de IA utiliza informações de quadros anteriores para estabilizar a imagem.
  • Partículas e detalhes: efeitos complexos como neve caindo não apresentaram rastros incômodos (ghosting). Além disso, a roupa do protagonista e as bordas de árvores ganharam mais nitidez e contraste, passando a sensação de uma resolução mais alta.
  • Comparação com o PS5 Pro: embora o QSSR melhore bastante a nitidez no PS5 padrão (corrigindo o aspecto desfocado do upscaling antigo), o PS5 Pro ainda entrega definição nitidamente superior em elementos finos e logotipos.
Ghost of Yotei: Edição Completa traz de volta Jin Sakai em modo de sobrevivência
Imagem: Divulgação/Sucker Punch

2. Ghost of Yōtei (Sucker Punch)

  • Comparado ao FSR 3: em detalhes finos, como a corda de um violão, o FSR 3 apresenta serrilhados e pixels que falham ou somem. O QSSR entrega uma linha contínua, estável e suavizada.
  • Texturas de roupas: o trançado e os tecidos das vestimentas ficam muito mais nítidos e detalhados com o QSSR ativo.
  • Limitações: o QSSR não resolve serrilhados em cabelos (como o rabo do cavalo, que permanece granulado) e apresenta artefatos (efeito granola/farofado) em movimentos rápidos de vegetação, de forma semelhante ao FSR 3.

Implementação e impacto no mercado de consoles

Ao contrário do PSSR do PS5 Pro, o QSSR precisa ser implementado jogo a jogo pelas desenvolvedoras — e isso não é muito difícil, segundo a Sony. Por isso, o ganho de qualidade varia: títulos com upscalers nativos mais fracos terão uma evolução notável, enquanto jogos já bem otimizados com FSR 3 podem apresentar diferenças mais sutis.

Trata-se de uma atualização importante para dar vida longa ao PS5 padrão, especialmente em um momento em que a troca de hardware exige um investimento elevado.

O que o QSSR sinaliza para os jogadores de PC (Placas AMD Radeon RX 6000)?

O comportamento do QSSR no PS5 é de extrema relevância para quem joga no PC. Como a GPU do PS5 compartilha a arquitetura RDNA 2 com as placas da série AMD Radeon RX 6000 (como a popular RX 6600), os testes no console antecipam os desafios que a AMD enfrentará ao trazer o FSR 4 para essas placas.

Como a arquitetura RDNA 2 não possui aceleradores de IA dedicados, possui menos TOPS e opera em FP16, a AMD precisará simplificar o modelo do FSR 4. Isso significa que, no PC, o FSR 4 em placas RX 6000 poderá entregar maior qualidade de imagem, mas talvez não consiga o clássico “milagre” do upscaling: aumentar a qualidade visual e o ganho de quadros por segundo (FPS) ao mesmo tempo.

O QSSR é uma adição muito bem-vinda para os donos de PlayStation 5, garantindo maior estabilidade de imagem e nitidez em jogos atualizados.

Embora não transforme o PS5 base em um PS5 Pro devido às limitações físicas de hardware e processamento (20 TOPS vs. 300 TOPS), a tecnologia estende a vida útil do console e serve como prévia do futuro do upscaling por IA em hardwares mais antigos.

Jhonatan S. Cecilio

Equipe do Universo Geek News.

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