Após o sucesso dos dois primeiros títulos, a Capcom se empenha em elevar a série Monster Hunter Stories a um novo patamar com o lançamento de Twisted Reflection. Este novo capítulo, que marca a clara continuidade do que começou como um spin-off para Nintendo 3DS, reafirma a proposta da franquia ao mesmo tempo em que apresenta uma maior profundidade em gameplay, narrativa e design visual.
Em essência, Monster Hunter Stories 3 se distancia das raízes simples de RPG por turnos e se aproxima da essência da série principal, oferecendo uma experiência mais robusta sem perder a identidade que conquistou seus fãs. A narrativa cativante é um dos traços mais fortes do jogo, fazendo com que os jogadores se sintam verdadeiramente imersos no mundo de Azúria e suas complexas interações sociais e políticas.
Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection conta a história de um mundo em crise
A história de Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection se inicia em um animado evento no reino de Azúria, onde a Rainha descobre um ovo de Rathalos, um símbolo de esperança, até que um evento trágico transforma essa festa em uma crise. Os gêmeos que emergem do ovo trazem um presságio sombrio, levando o Rei a tomar uma decisão chocante que mudará o curso do reino.
Essa introdução é a chave para um enredo que rapidamente revela poços profundos de tragédia e política, com um passado repleto de conflitos e tensões. O desenvolvimento da história é habilidoso, e mesmo com alguns clichês típicos dos animes, como a força da amizade, a narrativa é sólida e envolvente.

Com um equilíbrio inteligente entre um enredo complexo e personagens carismáticos, o jogo não apenas mantém o interesse dos jogadores, mas também provoca uma conexão emocional com os conflitos pessoais e sociais que permeiam a trama. A comparação com séries como Fire Emblem se torna inevitável, dado o foco em personagens e suas evoluções, o que dá à Capcom uma oportunidade de explorar narrativas ainda mais profundas no futuro.
Mas como é o gameplay?
Monster Hunter Stories 3 mantém a essência do RPG por turnos e, ao mesmo tempo, introduce mecânicas que as tornam mais intrigantes. Com janelas de ataque dinâmicas e um sistema de escolhas estratégicas semelhante ao “pedra, papel e tesoura” dos capítulos anteriores, o jogador deve estar sempre atento às fraquezas dos inimigos e ao comportamento de seus companheiros. Isso cria um ambiente de batalha onde a combinação de estratégia e previsibilidade é fundamental.
Embora as batalhas sejam predominantemente contra monstros conhecidos, o sistema de troca de armas e a habilidade de explorar fraquezas elementais conferem uma profundidade que pode ser muito prazerosa. Os jogadores podem alternar entre uma variedade de armas e combinar suas táticas, o que é vital para vencer as lutas mais desafiadoras.

No entanto, a implementação da IA no sistema de combate é um dos problemas mais notáveis do jogo. Os companheiros controlados pela IA nem sempre fazem as melhores decisões, o que pode frustrar os jogadores que buscam uma estratégia precisa. Além disso, algumas batalhas se estendem sem motivo, especialmente aquelas contra chefes, que se tornam “esponjas de dano” em que mesmo um jogador habilidoso pode sentir a necessidade de um aprofundado aumento no arsenal ou estratégia.
Crie um monstro do seu jeito
Um dos principais atrativos do jogo é a possibilidade de personalizar e evoluir seus monstros. A mecânica de recolha e fusão de genes adiciona uma camada de estratégia ao jogo, permitindo que os jogadores experimentem diferentes combinações para obter poderes e habilidades únicas. Isso proporciona uma experiência única de RPG, onde cada jogador pode moldar o seu time de forma a se adequar ao seu estilo de jogo.

No entanto, a mecânica de criação de monstros, embora interessante, pode ser um pouco confusa para alguns jogadores, uma vez que a complexidade requer uma certa dedicação e paciência para assegurar os resultados desejados. Questões como a vital escolha entre desenvolvimento de uma única criatura poderosa ou múltiplas criaturas menores são pertinentes e relevantes, adicionando um elemento de gestão e planejamento ao jogo.
Um Monster Hunter que roda bem na RE Engine
Outro ponto positivo de Monster Hunter Stories 3 é seu desempenho otimizado na RE Engine. O jogo apresenta uma jogabilidade suave, sem quedas de frame rates ou bugs significativos, algo que pode ser um problema em muitos outros títulos da Capcom. A escolha por um estilo mais cartunesco, junto com ambientes bem projetados, favorece a performance e proporciona um ambiente visualmente agradável.

Mas vale a pena?
Com todos esses aspectos em mente, Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection é mais do que um RPG por turnos — é uma experiência que combina uma narrativa cativante com jogabilidade estratégica. A produção mostra um padrão de qualidade elevado, que supera as expectativas de fãs antigos e novos. Apesar de algumas limitações no sistema de IA e no ritmo das batalhas, a profundidade narrativa e as mecânicas de criação de monstros oferecem uma proposta atrativa.
Se você é fã da série Monster Hunter ou está em busca de um RPG rico em história e com um sistema de batalha envolvente, esse título se encaixa perfeitamente na sua lista de jogos a serem jogados. É um híbrido que promete agradar tanto aqueles que apreciam a franquia principal quanto os que preferem uma abordagem mais narrativa e de turnos.
Afinal, Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection pode ser considerado um dos melhores representantes da franquia este ano, sendo ideal para quem busca mais do que apenas ação e aventura — mas também um enredo bem construído e mecânicas que lhe concedem a liberdade de moldar sua própria experiência.
Jogamos Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflections no PC com uma chave fornecida pela Capcom Brasil.
Uma narrativa envolvente com reviravoltas emocionantes
Personagens carismáticos que conquistam o jogador
Mecânicas de criação de monstros complexas e satisfatórias
Sistema de combate estratégico e dinâmico
Desempenho sólido em diferentes plataformas
Alguns clichês que podem desagradar aos mais exigentes
A IA dos aliados apresenta falhas em momentos críticos
Certain battles can become tedious, especially against bosses
Ao final, Monster Hunter Stories 3 se destaca não apenas por seu enredo, mas pelo potencial de atrair novos jogadores para a comunidade, afiando a reputação da Capcom como uma desenvolvedora que se recusa a descansar sobre os louros da inovação e qualidade.
REVIEW ORIGINAL:
Iniciada como um spin-off para Nintendo 3DS, a série Monster Hunter Stories chega a seu terceiro capítulo pronta para “subir de nível”. Em Twisted Reflection, a Capcom mantém os elementos de RPG por turno dos capítulos anteriores, mas entrega uma experiência refinada em gameplay, apresentação, história e em diversos outros aspectos.
O resultado é um game que, ao mesmo tempo que traz ligações perceptíveis com seus antecessores, consegue ir muito além deles. O resultado é uma experiência que se aproxima mais dos jogos centrais da franquia, mas sem perder personalidade e o foco em elementos narrativos.
Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection conta a história de um mundo em crise
Logo no começo de Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection somos apresentados a um momento de festa para o reino do Azúria. Uma expedicionária famosa, a Rainha consegue encontrar em meio a sua jornada um ovo de Rathalos — criatura até então considerada extinta na região e que está associada à chegada de boas notícias.
No entanto, tudo se transforma em desastre no momento em que o ovo se rompe e dele saem dois monstros gêmeos. Esse evento raro é encarado como um prenúncio de um grande desastre, que obriga o Rei de Azúria a tomar uma decisão imediata: para que o local sobreviva, é preciso que uma das criaturas morra.

Logo após essa introdução, Monster Hunter Stories 3 dá um salto temporal que mostra que ao menos um dos Rathalos sobreviveu e virou o companheiro do príncipe (ou princesa) que protagonista da história. Embora não saibamos ao certo qual foi o destino da outra criatura, fica evidente que ele está relacionado com o que aconteceu com a rainha, que desapareceu e agora é considerada uma traidora do reino.
O evento traumático do passado também parece ter grandes relações com o estado do mundo. Uma espécie bizarra de desastre ecológico está congelando muitas criaturas poderosas, além de contribuir para o fim de terras aráveis e colocar em risco a sobrevivência da população.
Com tons políticos que envolvem tensões com o país vizinho de Vermeil, uma grande guerra ocorrida há 200 anos e um território proibido, a história do game é envolvente e vai se revelando aos poucos em um ritmo muito competente. Ela tem alguns clichês típicos de anime (o poder da amizade a tudo vencerá), mas isso não chega a ser um problema.

De certa forma, o título aparece quase como em contraste com a série principal, cujas tramas mais recentes parecem ser meros fillers para o conteúdo endgame. Em Monster Hunter Stories 3, a Capcom se aproxima de franquias como Fire Emblem e segue uma trama que conquista tanto por seus traços gerais quanto por seus protagonistas — nunca deixe de lado as missões específicas de seus companheiros, pois vai acabar se arrependendo de fazer isso.
Mas como é o gameplay?
Embora boas histórias possam sustentar um game, é difícil chegar ao final dele caso seu gameplay não seja dos melhores. Felizmente, esse não é o caso de Monster Hunter Stories 3. O título transforma uma das principais séries da Capcom em um RPG por turnos, que nem por isso perde em agilidade ou desafio.
A maioria das batalhas acontece contra criaturas que encontramos pelos mapas, que vão ser bastante familiares aos fãs da longa da data. Durante os encontros, você pode mudar livremente entre três armas pré-equipadas, explorar fraquezas elementais de criaturas e se focar em atacar partes específicas de seus corpos em busca de mais recompensas.

A principal diferença — fora que tudo acontece em turnos — é que sempre estamos acompanhados de dois monstros e de um companheiro humano. No entanto, a maior parte do tempo só temos controle direto sobre as ações do protagonista, enquanto a inteligência artificial fica a cabo de lidar com o restante da equipe — o que costuma fazer de maneira eficiente, a maior parte do tempo.
Monster Hunter Stories 3: Twisted Fates também resgata o sistema de “pedra, papel e tesoura” que havia nos capítulos anteriores, mas com menos aleatoriedade. Todos os ataques de sua equipe ou de seus adversários podem ser ajustados para serem táticos, velozes ou fortes, sendo que cada opção tem vantagens e desvantagens em relações às demais.
Caso você opte por um ataque forte, mas seu inimigo tenha escolhido a velocidade, ele vai vencer um pequeno duelo e causar dano aprimorado, enquanto seu ataque é desperdiçado. No caso de ambos escolherem o mesmo tipo, o embate termina empatado e os dois saem machucados.

Embora esse sistema pareça um enigma em um primeiro momento, não demora até que você consiga perceber que certos tipos de criaturas sempre tendem a seguir as mesmas escolhas. Os tipos de ataques que seus companheiros escolhem automaticamente também dão pistas claras do que favorece ou prejudica uma criatura e, depois de algumas horas de jogo, é difícil se ver fazendo a escolha errada.
Para brincar um pouco com a atenção do jogador, Monster Hunter Stories 3 faz com que, em momentos específicos de uma batalha, seus adversários mudem de postura. Isso é uma dica para também mudar o tipo de ataque que você estava escolhendo, sempre ciente de que as criaturas passam a optar por opções que têm vantagens em relação às suas escolhas anteriores. Ou seja, se o jogador estava usando ataques de força (que perdem para os de velocidade), é melhor passar a optar por habilidades táticas enquanto a transformação dura.
Tudo isso pode parecer excessivamente estratégico e complicado, mas, na prática, se torna algo fácil de dominar após algumas horas de jogo. E é bom prestar atenção a esses elementos, já que mesmo o monstro mais comum do RPG é capaz de destruir seu grupo com facilidade. E, quando o jogo mostra visualmente que uma criatura é uma ameaça grande, é bom acreditar nisso.
Os combates de Monster Hunter Stories 3 só pecam em dois sentidos. O primeiro deles é que seus companheiros controlados pela IA nem sempre tomam as melhores decisões e podem ficar insistindo em ataques que não causam muito dano a inimigos. O segundo é que algumas batalhas podem se arrastar durante um longo tempo mesmo que você já tenha superado qualquer desafio presente nelas — algo comum em muitos chefes, que são verdadeiras “esponjas de dano”.
Crie um monstro do seu jeito
Fora das batalhas, o título traz uma exploração simples, que recompensa a curiosidade com itens escondidos e alguns extras. A decepção nesse sentido são os covis de criaturas espalhadas pelos mapas que, em seu interior, revelam designs praticamente iguais — fora o fato de que elas variam entre a quantidade de ovos disponíveis e na presença de uma ou outra criatura dormindo ou se recuperando de ferimentos.

É através desses ovos que você fortalece seu time, e encontra as criaturas que pode tanto evoluir em combate quanto liberar no mapa. Quanto mais de uma espécie você soltar, maiores as chances de que ela apareça, bem como algumas de suas mutações. Enquanto os monstros básicos de uma espécie tendem a ser bastante parecidos entre si, o jogo não demora a liberar uma mecânica que permite misturar com certa liberdade os genes de cada um deles.
Usada de maneira certa, a opção destrava bônus elementais, vários golpes especiais e a possibilidade de criar híbridos de diferentes elementos. Dado que muitos dos genes mais interessantes só são acessíveis após suas criaturas subirem de nível, isso traz à tona uma questão interessante: vale a pena deixar vários monstros sem habilidades para criar uma única criatura versátil e poderosa?
Felizmente, a resposta para essa pergunta não é tão difícil, visto que a criação de novos monstros é mais questão de paciência do que dificuldade. Vale notar que, assim como o sistema de criação e upgrade de equipamentos, essa é uma parte de Monster Hunter Stories 3 que pode ser deixada praticamente de lado — a não ser que você queira se preparar para lutar contra e vencer os monstros lendários do game.
Um Monster Hunter que roda bem na RE Engine
Outro ponto de Monster Hunter Stories 3 que merece elogio é em seu desempenho. Assim como Monster Hunter Wilds, o game foi desenvolvido na RE Engine, mas não traz qualquer problema de taxas de quadros por segundo, tampouco bugs que bloqueiem o progresso ou façam com que o título feche sem motivo aparente.

Mas vale a pena?
Caso você tenha chegado até este ponto do review, provavelmente já sabe a resposta, mas não custa reforçar: Monster Hunter Stories 3 é um belo RPG. Não somente isso, mas sua história mais madura e mecânicas aprimoradas fazem com que o título seja o melhor de toda a subsérie até o momento atual.

Com o game, a Capcom prova que está pronta para fazer com que Stories deixe de ser somente um spin-off e passe a ser tão respeitado quanto a série central. Obviamente, o fato de o produto se tratar de um RPG por turnos pode dificultar que ele exploda no mainstream, mas quem der uma chance para ele dificilmente vai sair decepcionado.
Caso você goste da franquia, ou sempre tenha conservado o desejo de testá-la, mas não domine bem combates em tempo real, vale dar uma chance à história. A não ser que o gênero ganhe algum grande lançamento inesperado em 2026, Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflections tem grandes chances de ser o seu melhor representante este ano.
Jogamos Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflections no PC com uma chave fornecida pela Capcom Brasil.
Uma história adulta e com diversas reviravoltas
Personagens bastante carismáticos
Bom sistema de criação de novas criaturas
Combates por turno tensos e bastante estratégicos
Ótimo desempenho no PC
Alguns momentos são dignos dos maiores clichês de animes
A IA dos companheiros nem sempre ajuda durante as batalhas
Alguns monstros, especialmente chefes, são verdadeiras “esponjas de balas”



