O Que Está Por Trás dos Preços Elevados dos Jogos de GameCube
Não é de hoje que os jogadores conhecem a devoção de fãs da Nintendo, as polêmicas da empresa com processos e o esforço de muitas outras em fazer os remakes para manter os direitos. E, ao entrar em uma loja de jogos retrô, apesar de ser possível ver décadas de história da Nintendo nas prateleiras, jogos de GameCube muitas vezes estão ausentes.
Para complicar, quando eles aparecem, muitas vezes, os preços podem fazer os jogadores hesitar. E tudo se resume à lei da oferta e da demanda.
O GameCube possui uma das bibliotecas de jogos próprios (first-party) mais vastas e queridas da Nintendo, com clássicos como Metroid Prime, The Legend of Zelda: The Wind Waker e Super Smash Bros. Melee. E mesmo o fraco Super Mario Sunshine ainda conta com uma base de fãs fiel.

Além disso, Luigi’s Mansion finalmente deu ao irmão do Mario seu próprio jogo derivado de caça a fantasmas. O console também contou com o clássico RPG Paper Mario: The Thousand-Year Door, os dois primeiros jogos da série Pikmin e o clássico de terror Eternal Darkness: Sanity’s Requiem.
Houve muitos destaques multiplataforma, incluindo Resident Evil 4 e Beyond Good & Evil. Foi também uma era de ouro para o multiplayer local, com jogos como Super Smash Bros. Melee, Mario Kart: Double Dash!! e quatro títulos da série Mario Party.
Para se ter uma ideia do tempo, hoje, as crianças da era GameCube estão na faixa dos 20 aos 40 anos. Ao preço, é preciso acrescentar o “imposto Nintendo”, ou seja, a tendência de os jogos da empresa manterem seu valor de mercado, e há uma receita que fica complicada graças a um problema de oferta.
O Fator Escassez

As 21,74 milhões de unidades vendidas do GameCube podem parecer muito, especialmente considerando o tamanho muito menor do mercado de jogos na época. No entanto, o desempenho foi inferior ao de seu antecessor e de seu sucessor.
O Nintendo 64 vendeu 32,93 milhões de unidades, fazendo com que as vendas do GameCube representem uma queda de 34%. Já no caso do sucessor, o Wii vendeu 101,63 milhões de unidades, ou seja, quase cinco vezes mais que o GameCube.
Para entender isso, é preciso lembrar que, ao contrário do PS2 e do Xbox, o GameCube não reproduzia DVDs. E, antes da época dos streamings, esse recurso impulsionava as vendas de consoles.
Junte-se a isso que os consoles da Sony e da Microsoft atraíam mais o público adolescente e adulto, empurrando a Nintendo ainda mais para o nicho de jogos voltados para a família e, ao mesmo tempo, enfraquecendo o apoio de desenvolvedoras terceirizadas.

Os números de vendas dos principais títulos do GameCube refletem isso. Super Smash Bros. Melee vendeu 7,41 milhões de cópias, Mario Kart: Double Dash!! vendeu 6,88 milhões e Super Mario Sunshine, 5,91 milhões.
Tratam-se de números significativamente inferiores aos dos jogos mais vendidos do N64 e empalidecem completamente quando comparados aos títulos mais populares do Wii. Por exemplo, Wii Sports vendeu quase 83 milhões de cópias.
Para aumentar a escassez, as primeiras versões do Wii eram retrocompatíveis com os discos do GameCube. Isso revitalizou o mercado de usados sem colocar novas cópias em circulação. E a relativa escassez de relançamentos modernos de jogos do GameCube também não ajudou.
Só em 2025 a Nintendo começou a adicionar alguns títulos do GameCube ao serviço Switch Online para o Switch 2. Até agora, isso não gerou uma queda significativa nos preços de revenda.
Caros Iguais, Mas Diferentes
Nem todos os jogos do GameCube são caros demais. É possível encontrar uma cópia usada de Metroid Prime por R$ 299,99 ou R$ 319 no Mercado Livre, mas o valor chega R$ 1,439 no PlayAsia.
Paper Mario: The Thousand-Year Door pode ser achado por R$ 410 a R$ 849. Porém, neste caso, salvo para colecionadores, pode ser mais interessante a versão digital para Switch pela Nuuvem por R$ 329,90.
E Super Mario Sunshine sai por R$ 299,99 a R$ 450. O que não significa que não haja preços maiores. Já The Legend of Zelda: The Wind Waker, pode ser encontrado por R$ 280, mas é em japonês.

Títulos de destaque custam mais caro. Achamos Super Smash Bros. Melee por R$ 3.320,33 no eBay. O vendedor afirma que é “selado de fábrica”, então é algo que interessa colecionadores. Falando em versões lacradas, encontramos Luigi’s Mansion por R$ 4.086,83 e Eternal Darkness por R$ 2.998.
Mario Kart: Double Dash!! pode sair por R$ 495,88 usado ou R$ 4.086,83 lacrado.
Pokémon Colosseum chega a assustar. Um usado pode ser encontrado por R$ 900, chegando a R$ 1.941,27 e R$ 2.554,30 nas edições especiais com o Jirachi. No caso de Pokémon XD: Gale of Darkness, a oferta pode ser mais interessante por ser um jogo lacrado por R$ 3.599.
Lembrando que, neste mercado, o estado de preservação, principalmente para colecionadores, é um dos fatores que afeta significativamente os preços e, por isso, jogos lacrados tendem a valer muito.

Em suma, os funcionários de lojas retrô provavelmente não estão escondendo os jogos de GameCube no estoque. E eles também não estão necessariamente inflando os preços acima do valor de mercado.
Trata-se, na verdade, de noções básicas de economia: a oferta limitada e a demanda constante tornaram o colecionismo de GameCube um hobby particularmente caro.
O que você acha disso? Você acredita que jogos de GameCube continuarão a subir de preço ou a Nintendo um dia reverterá a situação com relançamentos?



